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Casa Senhorial

Casa Senhorial d’El Rei D. Miguel – Casa da Cultura João Ferreira da Maia

edifício que chega até nós é, provavelmente, uma construção do século XVII muito marcada por um tipo de estrutura adaptada às vivências quotidianas de uma família rural abastada, em que se distinguem: um piso térreo para cavalariça e recolha de alfaias agrícolas; um piso superior para residência familiar.

 

Tudo leva a crer que o Morgadio de Rio Maior, como muitos pelo país fora, tem origem na Guerra da Independência que, travada ao longo de 27 anos (1640-67), proporcionou a constituição de «Corpos de Milícias» que defendiam as regiões de incursões espanholas, bem como exerciam a autoridade de ordem pública. Esta, aliás, terá sido na zona de Rio Maior a sua mais destacada missão.

 

A residência senhorial, na sua primeira fase, está assim ligada à «sede do morgadio», sem estatuto ou condição nobre. A Capela Privada que se destaca no conjunto edificado e nos aparece registada numa carta do século XVIII está , nesta época, associada a obras caridosas e ao culto do Santíssimo Sacramento, o que deixa transparecer a ascensão social dos proprietários e a sua importância na sociedade riomaiorense.

 

Quando chega o século XIX e as lutas liberais (1832-34) o «morgado» Joaquim Maria[1], capitão das milícias de Rio Maior e partidário absolutista, é arrastado na derrota e forçado ao exílio. Na casa, e depois da sua morte, ficam um irmão e duas irmãs, então ainda muito jovens. Conhecidas por ‘Clementinas’, as irmãs irão viver até muito tarde vendendo, pouco a pouco, os seus bens para sobrevirem.

 

Solteira, a última das irmãs morrerá quase com cem anos, por volta de 1922, amparada e acarinhada por João Ferreira da Maia, republicano e autarca ilustre, que lhe dispensa em quase duas décadas os cuidados que a velhice não consegue assegurar, sequer para a própria alimentação.

 

Casa Senhorial - antes da recuperaçãoDesde então a Casa Senhorial tem sido chamada de D. Miguel por, supostamente, nela ter dormido o rei aquando da sua passagem para a última das suas batalhas em Almoster. E tem permanecido na posse da família Maia com inúmeras utilizações, algumas das quais a foram descaracterizando.
 

Permaneceram, ainda em razoável estado, os caixotões dos tectos pintados em madeira, com destaque para as armas da coroa portuguesa, na sala, e motivos religiosos, na capela.
 

A doação pública que João Afonso Calado da Maia fez, que muito o honra e enobrece a família, distingue os riomaiorenses com um espaço privilegiado para usufruto de eventos culturais, sobretudo palestras, exposições e «work shops». Após o restauro a que foi sujeita, a Casa Senhorial d’El Rei D. Miguel – Casa da Cultura João Ferreira da Maia, nome por que foi (re)baptizada, aquando da sua inauguração em Maio de 2002, readquiriu a sua antiga dignidade.

 Casa Senhorial - Galeria

Os eventos que têm tido lugar são prova de um percurso que se iniciou e se espera que marque, indelevelmente, a vida cultural riomaiorense.


Augusto M. Tomaz Lopes

Licº em História

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[1] Cf. SOUSA, Francisco Pereira de, Rio Maior – a vila, seu concelho e comarca, Rio Maior, 1935, pp. 103-4.

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